Variação cambial e o constante medo da economia

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*Érico Rodrigues

A gangorra do dólar americano continua. O fato de termos a principal moeda utilizada no comércio mundial (incluindo turismo) ter subido mais de 50% em apenas um ano, fez com que outras moedas, como o dólar canadense e australiano o acompanhassem. Sejamos justos que estas outras duas moedas não subiram tanto quanto a americana, mas já estão na casa dos 15% a 20% de acréscimo em apenas 12 meses.

Por que essa escalada aconteceu em tão pouco tempo em nosso país? Crise política e econômica são os motivos. Como visto em diversos filmes como A Grande Aposta (2015), concorrente ao Oscar de 2016, e Lobo de Wall Street (2013), e até mesmo no clássico Wall Street – Poder e Cobiça (1987), dirigido por Oliver Stone, o mercado financeiro é uma gangorra. E dizem os especialistas, algo que não sou apesar de dar meus palpites, que o mercado de ações é cíclico, e é ele quem regula a maior parte dos investimentos ao redor do globo. A quem diga que isso deve mudar, como Bernie Sanders, pré-candidato pelos Democratas à eleição nos Estados Unidos, que quer mais regulamentações para Wall Street.

Atualmente, não temos uma crise econômica global, mas sim alguns distúrbios que estão acontecendo na economia ao redor do mundo. Por exemplo, o preço do barril do petróleo, que nunca esteve tão baixo em 13 anos. Muitos investimentos com retorno em xeque, e muitos investimentos futuros congelados, resultando em desemprego e problemas sérios para economias baseadas em commodities, como Venezuela, Rússia e o Brasil com nosso pré-sal, que está por ser desregulamentado da exploração obrigatória por parte da pobre e explorada Petrobrás.

O mercado financeiro não gosta de dúvidas. No Brasil, a principal dúvida econômica é se o governo Dilma terá a capacidade de estimular a economia e, principalmente, se serão capazes de cumprir um ajuste fiscal. Em poucas palavras: gastar menos do que arrecada. Segundo dados de janeiro deste ano, o governo conseguiu, após oito meses, gastar menos do que arrecadou.

As incertezas quanto ao petróleo, economia da China, e crise das commodities como um todo lançam dúvidas, principalmente nos países em desenvolvimento. Investidores de todo o mundo ficam mais receosos de aplicar recursos nesses países. Com isso, a aposta em dólar e que o mesmo subirá, é o que tem acontecido após consecutivas notícias ruins na economia. Muitos analistas de corretoras e bancos apostam no dólar a cinco reais, e há até previsões de dólar americano a sete reais. Infelizmente, enquanto os distúrbios políticos continuarem e a situação da presidente Dilma não for definida, a situação econômica dificilmente melhorará no Brasil.

Muito pior que a cotação do dólar disparar, a presidente Dilma continuar nesse sai ou não sai do governo, a Petrobrás falir, ou qualquer outro acontecimento econômico, é a perda de uma geração inteira de pessoas que não terão oportunidades de estudar, se desenvolver e de encontrar bons empregos. Algo similar ao que vem acontecendo com a Espanha, desde a crise de 2008.

Com a diferença que no caso do Brasil ainda faltam bilhões e bilhões de reais para investimentos em infraestrutura, educação, segurança e, até mesmo, em saneamento básico. Necessidades que deveriam estar em primeiro plano e cada vez mais estão sendo colocadas em segundo, terceiro, quarto plano, sem nenhuma perspectiva de alteração do quadro.

*Formado em administração pela Universidade Tuiuti do Paraná com MBA em Controladoria e Finanças, cursada na Estação Business School. Tem mais de 15 anos de experiência na área de finanças e controladoria, atuando principalmente na gestão de controladoria financeira de empresas mundiais no setor de óleo e gás. Já viveu fora do país e, devido ao seu trabalho, está em constante contato com a economia mundial e cotações de moedas de diversos países.