House of Cards e seus ensinamentos na gestão de crise

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Neste texto estou unindo duas paixões: a comunicação (falando mais especificamente: gestão de crise) e o cinema como um todo. Para os telespectadores e assinantes do Netflix (se você ainda não tem, tenha. Até o Sílvio Santos assina Netflix), assistam House of Cards. O seriado se passa na terra do Tio San (EUA) e tem como protagonista nada mais, nada menos que o presidente do país, que é o talentosíssimo Kevin Spacey, no personagem de Frank Underwood.

 A série adapta a obra de Michael Dobbs, que já teve uma versão britânica. A história acompanha a trajetória política do congressista Frank Underwood, um homem manipulador que não perde oportunidades para conseguir o que deseja. Além do personagem principal, o seriado tem um elenco de peso, com nomes como Robin Wright, Kate Mara, Michael Kelly, dentre outros. Para quem se interessou, as três primeiras temporadas estão disponíveis no canal e a quarta tem estreia marcada para o ano que vem.

 Rasgações de seda à parte, a série tem muito a ensinar sobre comunicação política, assessoria de imprensa e gestão de crise. Jornalistas e comunicadores, já se imaginaram no lugar (de verdade) de Seth Grayson (interpretado por Derek Cecil)? No seriado ele é o assessor de imprensa do presidente dos Estados Unidos e da primeira dama, Claire Underwood.

 Acredito que a primeira lição nem venha com o seriado, mas sim com a comunicação real da presidência dos EUA. Convenhamos, o pessoal lá sabe fazer isso muito melhor que os nossos governantes daqui. Além de ter ferramentas tecnológicas mais desenvolvidas, os políticos norte-americanos e suas equipes comunicam como ninguém. Eles sabem usar isso a seu favor e a população faz questão absoluta de saber. O que, na minha opinião, é um ponto extremamente positivo e favorável para a boa conduta de um governo.

 Deixando de lado o positivo, vamos partir para o trabalhoso: como gerir crise em um ambiente que, por si só, é crítico? Nesse caso, o assessor de imprensa não é somente um comunicador, ele tem que virar amigo e companheiro do seu cliente. Isso mesmo. Tem que saber os podres da vida, o que ele já fez, o que faz nas horas vagas, o que mais gosta de comer, qual vinho toma, que marca de roupa usa, se já teve algum caso extraconjugal, se já cometeu algum tipo de delito, se já usou drogas, enfim, o assessor de imprensa deve ser uma pessoa de confiança que saiba de tudo. As probabilidades de alguma coisa estourar com gente como presidentes de países são imensas e bem reais. Por isso o saber de tudo. Claro que não temos bola de cristal, mas já ter uma ideia de como agir caso algum escândalo venha à tona é extremamente útil.

 Agora, um conselho: se você é do tipo que não gosta de se estressar e arrancar os cabelos, não aceite um cargo como esse. O currículo e o salário ficam ótimos, mas você vai perder praticamente toda a sua privacidade e vida social. E além de lidar com o seu cliente, que no caso só é a pessoa mais influente do mundo, você terá jornalistas histéricos querendo entrevistá-lo a todo custo, jornalistas chatos achando que só porque são seus camaradas podem ter algum tipo de benefício, vai recusar propina, vai sofrer ameaças, vai chorar de nervoso e acredite, vai ter que ter um sangue MUITO frio. Eu acho que mesmo com tudo isso eu toparia o emprego, hehehe. E você?