Criar não é uma tarefa simples

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*Rick Garcia

Na prática, a criação é uma utopia. Como criador é um tanto quanto doloroso dizer isso, mas a verdade é que a teoria de que “nada se cria, tudo se transforma” contém uma verdade inquieta.

Nosso cérebro no momento em que está criando algo, seja um texto ou um desenho, não está se conectando ao cosmo e inventado algo totalmente novo jamais visto pela sociedade, por mais que alguns artistas nos façam acreditar nisso apresentando obras de arte que pensamos nunca ter sido vistas antes. Na realidade, o que ocorre é que fazemos um grande amontoado de toda nossa bagagem de referência que adquirimos durante toda nossa vida para, a partir daí, juntarmos alguns pontos e termos o tão esperado momento “eureka”.

Independentemente do processo adotado por cada um, a criação está muito ligada à fluidez e à liberdade, duas características marcantes possíveis de ver na personalidade de grande parte dos artistas. Isso porque criar é de certa forma, deixar levar o pensamento a uma nova perspectiva, e para que ele chegue lá precisamos desatar qualquer laço que nos prenda ao cômodo, ao certo, ao esperado. É perceber duas ideias geniais, ligá-las e transformá-las em uma terceira ideia e, por isso, a observação é tão importante. Arrisco dizer que a criação é o network das ideias.

Estar atento é algo fundamental para qualquer criador, não apenas atento ao mundo exterior como também nos mantermos atento a nós mesmo e os turbilhões de ideias que nos passam pela cabeça dia e noite. Uma profissão destinada apenas aos apaixonados, aos inquietos, pois se trabalha 24h por dia e muitas vezes nós vemos com aquela lâmpada acesa acima da nossa cabeça nos momentos mais inusitados. Isso tem a ver com liberar a criatividade.

Qual criador nunca teve aquela ideia genial no despertar da madrugada, enquanto tomava banho (clássico), no caminho para o trabalho ou no meio de uma conversa de bar? Estamos sujeitos a novas ideias a qualquer momento, seja analisando o desenho da camiseta de um estranho na rua, até sentindo o cheiro que nos traz algum sentimento ao passar em frente a alguma loja na rua. A criação ocorre quando menos esperamos num momento de conforto mental e este sentimento é muito recompensador.

Como disse, ser criador não é uma tarefa fácil. É estar fora do senso comum, é ser o “diferentão”, é trilhar um caminho onde mais dedos serão apontados, pois o novo nunca passa despercebido. É fazer a ponte do incompreensível com o já conhecido. Apesar da natural resistência do ser humano ao novo, ser criador é estar à frente, e talvez seja isso que move o coração dos apaixonados por esta profissão.

*Publicitário, começou sua carreira aos 14 anos onde passou por diversas agências, estúdios e países. Atualmente é diretor da agência Maverick onde oferece soluções em Branding e Comunicação Integrada. Catarinense curitibano, aficionado por artes, viagens e água salgada.