Branding, levando para o pessoal

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*Rick Garcia

Como é meu primeiro texto enviado para a editoria de colunistas da Brigadeiro, gostaria de me apresentar brevemente. Meu nome é Rick Garcia (sim, meu nome é Rick mesmo!), possuo um interesse natural por arte que adquiri de berço por parte de mãe. Foi ela também que me influenciou a estudar publicidade e já me ingressou no mercado de trabalho aos 14 anos.

Este mesmo espírito artístico livre foi o que me levou a realizar diversas atividades que muitas pessoas as consideram lazer, mas eu particularmente as considero como uma grande bagagem cultural útil na vida profissional e pessoal.

É experiência, algo que você só aprende passando por aquilo, a chamada “faculdade da vida”. Este fator me levou a manter meu pé na estrada e olhos atentos para conhecer diversas pessoas dos mais variados locais do mundo, pessoas que mantenho contato até hoje. São amigos ingleses, espanhóis, argentinos, indonésios, paquistaneses, outros que não saberia nem escrever a nacionalidade, como Bangladesh e República Checa e, outros tantos brasileiros que moravam em diversas localidades do globo.

Cada pessoa tem uma personalidade singular e com todas, sem exceção, pude realizar uma troca de experiências, pois todas têm algo de muito valor para transmitir e, acredito eu, que também pude transmitir alguma mensagem que foram útil em determinado momento de suas vidas.

Agora você deve estar se perguntando, o que isso tudo tem a ver com o Branding? Bom, na verdade tem tudo a ver. Desde o final de 2011, após muitos anos trabalhando em diversas agências, optei por iniciar minha carreira solo e me embrenhar neste ambiente chamado mercado do empreendedorismo. Desde o início, senti uma grande dificuldade em explicar temas não palpáveis, da esfera conceitual, que no caso sempre considerei o carro-chefe dentre os serviços que ofereço devido a minha facilidade em criar conceitos, de maneira geral, mas nesse caso especificamente para empresas.

Mergulhando cada vez mais fundo neste tema, percebi que nós, pessoas comuns, temos uma percepção muito limitada de tudo. Ou as vemos simplesmente como coisas estáticas e sem vida ou as percebemos como organismos vivos, com alma e personalidade. Em ambas as esferas, o juízo de valor é particularmente executado em cada um de nós, mas há uma tendência em nos apegarmos mais ao que é vivo, ao que podemos interagir e realizar aquela troca de experiências onde saímos diferente de quando entramos. E as empresas, nada mais são que organismos vivos em nossa percepção.

É um assunto de extrema complexidade comumente tratado de maneira rasa por agências de comunicação. Foi ouvindo clientes e amigos que notei que o branding é tido, muitas vezes, apenas como a criação e aplicação do logotipo empresarial nos mais diversos materiais que a empresa possa vir a utilizar, como por exemplo, no caso de um restaurante, aplicar seu logotipo na fachada, cadeiras, uniformes, displays de mesa e frota de automóveis. “Ué, mas isso não é branding?” Não, não apenas. O branding engloba tudo isso.

A comunicação é uma área correlata à semiótica. Toda ação gera uma mensagem e toda mensagem gera valor e esta mensagem não é necessariamente escrita ou falada. Por exemplo, se criarmos um logotipo com cores vibrantes, a empresa poderá ser vista como alegre, divertida, simpática. Um logotipo monocromático pode transformar uma empresa em séria, elegante, discreta. Veja que nenhuma palavra foi mencionada e nem por isso a mensagem não deixou de ser passada.

Mas é agora que vem o que eu considero mais interessante, perceba que alegre, divertida, simpática ou séria, elegante e discreta são valores que herdamos das relações humanas, e é exatamente aí que está o branding. Costumo exemplificar aos meus clientes que branding nada mais é que a criação, gerenciamento e manutenção da percepção da personalidade de uma empresa. Por que percepção? Porque de nada adianta uma empresa desejar ser séria, elegante e discreta se o seu público não consegue perceber esses valores. Portanto, o branding é uma grande nebulosa conceitual que está entre a empresa e o público, é a transição da mensagem transmitida e o valor gerado em cada consumidor em particular.

A geração de valor talvez seja um dos principais temas empresariais da atualidade. Hoje, o consumidor não se satisfaz apenas com o produto. Ele quer fazer parte da cultura que o levou a consumir o serviço ou mercadoria. Essa inclusão se dá por meio da sinergia de valores entre consumidor e empresa, mas isso já é um assunto para uma próxima coluna.

Aí é que está o grande papel da comunicação e do branding, empresas que não se comunicam ou não interagem com seu público, dificilmente geram valor e é pouco provável que criarão consumidores fiéis e verdadeiros defensores e indicadores da marca. Veja que o papel da comunicação é tão forte, que mesmo com um simples artigo, tenho certeza que cada um dos leitores gerou um valor sobre minha pessoa, ainda que raso, e que poderá ser reforçado ao longo dos próximos textos. Pense nisso!

*Publicitário, começou sua carreira aos 14 anos onde passou por diversas agências, estúdios e países. Atualmente é diretor da agência Maverick onde oferece soluções em Branding e Comunicação Integrada.