A retomada das séries na era Netflix

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*Leila Vieira

Nos últimos anos muito se tem discutido a respeito das mudanças da televisão norte-americana. Com o advento da Netflix e a criação de House of Cards, alguns atores que antes recusariam veementemente a participação em uma série hoje em dia podem ser encontrados semanalmente em episódios inéditos no horário nobre americano.

Mas até que ponto a televisão está realmente mudando e não voltando alguns anos? Não faz tanto tempo que um reboot de 91201 foi lançado e chegou ao seu fim. Em Junho de 2014, o Disney Channel lançou a série Girl Meets World, o que pode se dizer ser uma continuação para Boy Meets World, uma vez que o casal principal da série original retornou para reviver os mesmos personagens, agora pais de uma adolescente.

A Netflix está atualmente gravando uma temporada de Gilmore Girls e a mesma “rede” televisiva criou o Fuller House, um spinoff da amada série Três é Demais. Fuller House gerou um grande buzz em 2015 quando foi anunciada pela seguinte polêmica: seria esse o retorno das gêmeas Olsen à televisão? Depois de muito diz-que-me-disse a série finalmente foi finalizada e veio o anuncio de que elas recusaram o papel.

Em 27 de fevereiro, finalmente a série foi lançada, com 13 episódios e, apesar das críticas negativas a respeito do piloto, no dia 2 de março, a Netflix renovou o produto para sua segunda temporada.

Fuller House conta a história de DJ Fuller, (ex DJ Tanner), que após perder seu marido, retorna à casa de sua infância para cuidar de seus três filhos com a ajuda de sua irmã Stephanie e de sua amiga Kimmy.

Sobreviver ao piloto é, de fato, uma prova de resistência pior que passar uma noite dentro de um Pálio no BBB com outras 12 pessoas.

Sou a favor de que os clichês dos anos 90 não deveriam ser reprisados em produtos feitos com tecnologia high definition. O piloto de Fuller House é tão réplica de Full House que em determinados momentos a tela é dividida em dois para que a pieguice sem fim seja elevada a um nível completamente diferente.

Ao invés de levar o público às lágrimas com um forçado retorno à infância, o piloto me fez revirar os olhos e contar os minutos para que acabasse. Foi apenas lá pelo quarto episódio [vejam meu comprometimento com séries], que consegui finalmente aproveitar o show.

Quando as referências finalmente pararam de ser feitas, e o shade às irmãs Olsen acabou [aliás, cada shade valeu ter sobrevivido ao piloto], a série finalmente se igualou a Girl Meets World aos meus olhos. Com conteúdo atual e piadas atualizadas, o formado “pai solteiro com ajuda dos amigos” de Full House pode ser reprisado de forma orgânica para a nova audiência da série Fuller House.

*Jornalista com especialização em Comunicação, Cultura e Arte pela PUCPR. Após atuar como assessora de imprensa se mudou para os Estados Unidos onde fez mestrado em Belas Artes e Cinema pela New York Film Academy e é diretora de dublagem na Voxx Studios em Los Angeles.